Andrés De Nuccio

Sobre Andrés De Nuccio

Psicólogo clínico e fundador do Instituto Ísvara

Andrés De Nuccio

A pergunta

Há uma pergunta que conduziu toda a minha vida.

Não surgiu de um livro. Não surgiu de uma aula. Surgiu de dentro, no momento mais difícil que já vivi.

Tinha dezessete anos. Passei por uma situação de risco real à minha integridade, o tipo de experiência que coloca o ego diante da possibilidade concreta de deixar de existir.

E no meio daquilo, algo completamente inesperado aconteceu: havia algo em mim que observava. Calmo. Silencioso. Profundo. Absolutamente real.

Mesmo no momento mais vulnerável da minha vida, havia algo que não era vulnerável.

Aquilo não era um estado. Não era o resultado da meditação nem da disciplina. Era anterior a tudo isso. Era algo que simplesmente estava, antes de qualquer história, antes de qualquer medo.

Queria entender o que era isso. Não por curiosidade. Por necessidade. Porque se aquilo era real, e era real, então havia uma forma de viver ancorado nessa realidade, independentemente do que acontecesse ao redor. Essa pergunta nunca mais me largou. E foi ela que me trouxe até aqui.

A trajetória

O yoga, a ruptura e a disciplina da mente

O yoga entrou na minha vida aos quatorze anos, antes de qualquer crise. Era um adolescente extremamente tímido, e a prática me deu algo que nenhuma outra coisa havia dado: uma voz interior que, aos poucos, virou voz exterior. Como costumo dizer, comecei a falar e não parei mais.

Praticava com a intensidade que os adolescentes colocam nas coisas que os salvam: duas vezes ao dia, todo dia. Os resultados eram marcantes. E assim começou uma relação com a prática que dura até hoje.

Depois veio a ruptura. A saída da Argentina, a chegada ao Brasil, uma língua nova, um país novo, laços cortados, tudo recomeçado. Foi uma morte e um renascimento, não apenas em termos linguísticos, mas em termos de quem eu era. A impermanência deixou de ser conceito. Virou experiência vivida no corpo, logo depois de ter encontrado minha mortalidade aos dezessete anos.

O universo parecia me ensinar, de maneiras cada vez mais contundentes, que tudo nasce e tudo passa. Que a única estabilidade real não pode depender do que muda.

Por quatorze anos pratiquei meditação duas vezes ao dia, numa disciplina rigorosa que me treinou no conhecimento íntimo da mente. O autocontrole que isso produziu foi real e duradouro. Mas havia um anseio que persistia — um anseio pela compreensão do que transcende a dualidade, algo que nenhuma técnica, sozinha, alcançava.

Andrés De Nuccio — meditação no Himalaia
Andrés De Nuccio e Swami Dayananda Saraswati

A Índia

Vedanta, ashram e o encontro com a ciência da mente

O encontro com o Swami Dayananda Saraswati aconteceu antes de eu pisar na Índia. Ele veio a Buenos Aires, veio ao Rio de Janeiro, e eu estive presente nesses encontros.

O que ouvi naquelas palestras respondeu ao anseio que carregava há anos: o Vedanta Advaita, a investigação filosófica mais rigorosa sobre a natureza da realidade e do que somos antes de qualquer história que contamos sobre nós mesmos.

Foi esse encontro que me levou ao Ashram em Coimbatore, no sul da Índia, onde passei três meses estudando com ele. E depois à Índia de novo. E de novo. Mais de trinta vezes, ao longo de vinte e cinco anos.

Ir à Índia foi assumir e validar os aspectos do meu ser que buscam a espiritualidade. Foi como voltar para um lar onde a espiritualidade vem em primeiro lugar, antes de tudo.

Trouxe o Swami Dayananda ao Brasil a nosso convite. Conheci outros swamis com quem construí vínculos de anos. Aprendi, nesse contato próximo, o que é a vida contemplativa sem romantismo: mais profunda, mais exigente, e muito mais real do que qualquer fantasia havia prometido.

Paralelamente, me formei em psicologia. Encontrei na psicologia cognitiva uma linguagem precisa para descrever o mecanismo que o Vedanta ilumina por outro caminho: que as emoções não nascem das circunstâncias, mas dos pensamentos sobre as circunstâncias. E que os pensamentos podem ser conduzidos. A neurociência foi chegando depois, confirmando com dados o que os sábios conheciam há milênios a partir de suas vivências interiores. O encontro entre tradição contemplativa e ciência não foi uma surpresa. Foi um reconhecimento.

A descoberta

Entender o problema e estar livre dele

Há uma diferença entre entender o problema e estar livre dele. É uma das primeiras coisas que percebo em quem chega até mim: o conhecimento já está lá. A pessoa sabe explicar o que sente, sabe nomear os padrões, às vezes com uma precisão impressionante. O mapa está claro. O território, ainda não.

O que o Vedanta ofereceu foi algo que o conhecimento técnico, por si só, não alcança: o reconhecimento de que há um observador que não sofre. Não como crença, não como teoria, mas como experiência direta. Aquilo que observava em mim, calmo, aos dezessete anos, não era um estado passageiro de dissociação. Era a minha natureza mais fundamental.

A independência emocional que hoje ensino nasce exatamente dessa descoberta: a paz que não depende das circunstâncias não é conquistada por esforço. É reconhecida. É o que você é quando para de se confundir com o que passa.

A psicologia desfaz as histórias que a mente conta. O Vedanta aponta para quem está antes delas. São dois idiomas para o mesmo território, onde a mente finalmente encontra o que sempre buscou.

O trabalho

Consultório, Confraria e o que reconheço em quem chega

Quando estou diante de alguém, seja em consultório, seja num encontro da Confraria, reconheço imediatamente o que está presente. A fragilidade do ego que busca aceitação, segurança, significado. O cansaço de quem já tentou muito e ainda sente que falta algo.

Conheço esse lugar. Estive lá de formas que não se esquecem.

Acompanhar o momento em que uma compreensão chega de verdade, quando algo se instala na mente de outra pessoa e o olhar muda, é um privilégio que não me canso de receber. E aprendo nesse processo tanto quanto quem está do outro lado. A cada pergunta respondida, o conhecimento passa por mim e se assenta com mais clareza.

A cada pessoa que ajudo, estou ajudando uma parte do meu ser, uma parte que viveu em diferentes momentos, que também foi frágil, que também buscou.

Há mais de trinta anos faço esse trabalho. Não porque escolhi uma carreira. Porque não encontrei outra forma de viver que faça sentido comparável a este.

Andrés De Nuccio no trabalho

Credenciais

Em síntese

  • Psicólogo clínico — CRP 06/41571-2
  • Mais de 30 anos de consultório clínico
  • Fundador do Instituto Ísvara (1991)
  • Mais de 700 professores de yoga formados
  • Mais de 200 professores de meditação formados
  • Mais de 30 viagens à Índia desde 2000
  • Criador da Confraria da Mente

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Instituto Ísvara

Um ecossistema onde psicologia, yoga, meditação e Vedanta se encontram no mesmo território: a vida real.

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Psicoterapia e processo clínico.

Confraria da Mente

Conversa semanal e reflexão profunda.

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